Punk rock em tempos de internet

Ronald Alves [ronaldsalves@yahoo.com.br]

Em tempos de internet muita coisa muda. Conceitos, movimentos, moda, estilos de vida, modos de encarar a vida, numa velocidade que é própria da rede. E na música não é diferente. As formas de organização das bandas, a produção e a divulgação dos trabalhos é uma coisa nova. Até a relação com o publico muda. Marcelo Buteri, músico capixaba, de 28 anos, é dessa geração intermediária, que não nasceu com a internet, mas que pôde acompanhar o seu surgimento no cotidiano das bandas de rock aqui no estado.

Ele começou a tocar cedo, com 15 anos, num tempo muito distante, quando o acesso às tecnologias digitais era coisa de um futuro longínquo. Em meados dos anos 90, quando ele dava os primeiros passos no mundo do punk rock, lançar um CD com esse estilo musical era um sonho quase impossível. O processo de produção era muito caro. As gravadoras não apostavam em bandas novas – como hoje ainda não o fazem – e não havia muitas outras alternativas para mostrar o trabalho.

O que podia ser feito pelas bandas era gravar fitas k-7 com suas músicas e vender nos shows. Essas mesmas fitas podiam ser enviadas para as gravadoras mas, elas não estavam interessadas, lembra Marcelo.

Ele lembra que a mudança que acontece hoje é que a própria banda pode produzir seu CD – os programas de edição de áudio são de fácil acesso e manuseio, e o trabalho pode ser feito em estúdio caseiro – e ainda divulgar pela rede mundial de computadores.

Você pode colocar no site da banda (a grande maioria tem seu próprio site), postar no blog, compartilhar nas comunidades do Orkut; qualquer pessoas que quiser pode ouvir o som, conhecer o CD

E dessa forma ganha visibilidade, forma público. É o que alguns estudiosos chamam de “cultura do espalhe”, ou o nosso bom e velho “boca-a-boca”. É dessa nova forma que o público tem acesso também às agendas de shows.

No entanto, no cenário capixaba, os locais para eles são poucos, apesar das bandas serem muitas. E nem as novas tecnologias resolvem esse problema. Há uma instabilidade muito grande, os espaços para shows abrem e fecham logo em seguida. E Buteri é enfático ao apontar a causa

os organizadores de eventos são gananciosos; querem ganhar muito; não têm a concepção de fazer uma coisa para o público; querem ganhar dinheiro, mas tem que ser muito. E aí, acaba!

Para ele, isso foi um problema do passado e ainda o é no presente.

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Uma resposta para “Punk rock em tempos de internet”

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