A democratização dos meios de produção abre espaço para que as pessoas tenham acesso mais facilmente a internet e aos dispositivos de distribuição em rede. Agora é possível produzir vídeos, publicar livros e gravar músicas na plataforma Web.
Sites como Itunes (música), Youtube (video), Orkut (relacionamentos) e Lulu.com (editoração) atuam como ferramentas para alimentar a criatividade e produção de uma geração àvida por novidades e últimas tecnologias.
Pirataria. Receptáculo de idéias. Democratização do conhecimento e de sua produção. Esses foram alguns dos temas discutidos em entrevista com Alexandre Curtiss - professor dr. do Departamento de Comunicação Social da Ufes e coordenador do Grupo de Estudos Audiovisuais (Grav).
No capitalismo cognitivo é possível se manter somente como “receptáculo de idéias”? O processo de democratização dos meios de comunicação não precisa ser reavaliado. Uma das discussões feitas por Maurizio Lazzarato, no seminário O Comum, que aconteceu entre os dias 21 e 25 de maio de 2007, é que não basta ter acesso ao conhecimento já existente e às ferramentas (computadores, internet). É fundamental participar do processo de produção.
Você concorda com a afirmação? Por quê?
Alexandre Curtiss: Sempre é possível ser apenas “receptáculo de idéias”. É um lugar do processo de comunicação. Ele é pacífico, conformista, calculado e tem pânico de qualquer esforço, sofrimento, risco. Portanto é ainda muito procurado e bem sucedido.
Concordo com a afirmação de Lazzarato sobre não bastar ter acesso à informação, ao conhecimento (na verdade, aos instrumentos de acesso).
O Punk Rock não inaugurou apenas um estilo de rock. O estilo também é pioneiro na iniciativa de buscar por espaços de autonomia para a produção de cultura e subjetividade. Bem na filosofia do “Faça você mesmo!”
Nesta linha e a partir da ampliação do acesso às novas tecnologias, muitos dos chamados amadores passam a usardessas novas ferramentas para produzirem seus vídeos, músicas e textos disponibilizando-os em rede – youtube, blogs, fotologs, podcast e myspace.
É nesse sentido que aumenta a divulgação de materiais pela internet. O crescente número de blogs, fotologs e sites brasileiros indicam como os jovens, principalmente, estão inseridos nas networks e listas de divulgação de produtoras dos estilos de que mais gosta.
Um exemplo desta nova modalidade de divulgação de projetos é a produtora Atitute! Eventos que usa Orkut, fotologs, e blogs para a divulgar os eventos da cena independente capixaba.
Muito preto, vermelho e xadrez, como dos dois roqueiros da foto estão vestidos, definem um pouco o estilo rock de ser. Adereços e acessórios fazem parte deste mundo musical que se mistura com a moda e a personalidade.
Os góticos aderem a uma estética sombria, essencialmente baseada no negro, com acessórios referentes a filmes de estilo futurista, como no caso de cybergoths. Cabelos compridos e coloridos também compõem o visual. A garotada da foto segue fielmente o que dita a moda gótica.
Companheirismo. Complementação. Divulgação. Essas palavras definem bem a relação entre rádio e Internet no cenário punk rock brasileiro e, principalmente, capixaba. Por ter um público segmentado e ainda pequeno no Espírito Santo, o punk rock possui pouco espaço nas rádios capixabas. Há uma grande limitação de tempo. “Nosso programa tem apenas duas horas semanais. As pessoas só têm esse horário para escutar”, fala Cyssu, locutor de um dos poucos programas do gênero no estado.
Além da questão do pouco tempo, a censura nas rádios também acaba minimizando o caráter crítico proposto pela ideologia do punk rock. Na rádio existe a preocupação com quem está ouvindo a música. Os pais ainda vigiam seus filhos. Por isso, letras muito agressivas, comuns no estilo, são evitadas na rádio. Debates acerca de política e religião também são deixados em segundo plano, descaracterizando o ideal do movimento.
Pouca estrutura de palco, com iluminação baixa, na maioria das vezes feita por um jogo de luz fraco. Palco tão baixo e pequeno que faz o músico se diferenciar da platéia apenas pelo instrumento. Caixas de som trazidas pelas próprias bandas. Estrutura física a desejar, porém com muita performance, riffs, melodias, pegada, feeling e, principalmente, prazer. Assim é a maioria dos shows no cenário do rock alternativo, que possui bandas e músicos à margem da indústria fonográfica. Não tocam nas grandes rádios e não têm muita voz na mídia. Mas, em seus espaços de divulgação cultural, dão seus recados e utilizam dos recursos ao alcance para se fazerem conhecidos pelo seu público.
Banda Forgotten Land em apresentação no bar Anchietinha, em Vitória – uso de recursos simples e proximidade com o público.
Há uma relação muito estreita entre o rock em geral e os animes e mangás – versões japonesas dos conhecidos desenhos animados e HQs. Onde existe um, ali está o outro. Posso até chegar a pretensiosa conclusão de que não há um rockeiro/metaleiro/punk/gótico/grunge/emo (…) que se preze que não seja apaixonado por esta arte. É pré-requisito.
Temos os infinitos exemplos de animações “caseiras” que podem comprovar. Os vídeos mesclam imagens de animes e alguma música que combine com a seqüência ou história do personagem. O YouTube tem várias delas e até eu, pobre amadora, já me aventurei a fazer algumas. Existem das mais requintadas, que são montagens de vários frames de uma temporada inteira, às simples inserções de outro áudio numa abertura do anime – esse foi o meu caso, mas que ainda não tive coragem de postar na internet.
Alguns destes clipes você pode conferir na aba vídeos do VibeRock.
Também é importante prestar atenção na trilha de alguns animes. Se você não curte muito, pelo menos veja a abertura de Full Metal Alchemist, Bleach e X TV. Impossível dissociar. E tem também a histórica parceria entre o vocalista da banda Angra, Edu Falaschi, e o anime mais famoso do Brasil, a lenda para quem teve a sua infância entre os anos 80 e 9o. Os Cavaleiros do Zodíaco.
A voz de Falaschi encaixou tão bem com a saga que os fãs exigiram que ele voltasse a cantar no novo filme dos cavaleiros, o Prólogo do Céu. E não há um show sequer em solo brasileiro em que a banda escape de entoar este hino de uma geração.
A velha máxima “sexo, drogas e rock ‘n’ roll” ganha uma nova versão na Caverna do Simpson. Quem pensa que o ambiente dos roqueiros é um espaço onde “tudo pode rolar” tem uma impressão diferente quando conhece o bar. Os amantes do rock podem desfrutar do espaço à vontade, mas algumas regras devem ser respeitadas.
“Drogas no bar não rolam; nem brigas e nem putaria”.
Essa preocupação de Jorge Simpson tem um motivo especial: manter um ambiente familiar. Mas esta postura também colabora para que seja desmistificada a imagem das pessoas que freqüentam e curtem o mais puro rock and roll.
“O bar é lugar familiar. É comandado e atendido por uma família”.
No início da Caverna eram os amigos de Simpson que tinham contato com as bandas novas e as convidavam pra tocar no bar. Depois, o famoso ‘boca a boca’ foi espalhando o espaço para o público mais alternativo. Com a internet, tudo ficou mais fácil. Os fotologs, blogs, perfis e comunidades do Orkut abastecem o público com informações, fotos, vídeos e as músicas das bandas. Isso facilita bastante conhecer o trabalho dos iniciantes e manter contato.
A internet é fundamental. O bar funciona através da internet. Atinge o público alvo. Enquetes e debates também são feitos. Não somos totalmente comerciantes