A micareta do rock

Gustavo Gouveia – [guga_gouveia@yahoo.com.br] 

Temos de reconhecer que é nobre a iniciativa dos organizadores do Rock da Tarde, no Festival de Alegre, em priorizar o rock como estilo dominante entre as atrações do Palco Livre. É um favor às bandas de rock, já que os shows no palco principal do festival priorizam outros estilos mais populares.

O Rock da Tarde remonta ao carnaval de rua das principais cidades de interior, onde a confusão sonora é constante. Carros de som, raves em festinhas particulares, bandas de pagode e forró e o rock do palco livre se misturam num grande bacanal sonoro.

Deste modo, o grande obstáculo para as bandas do estilo passa a ser o público, e não o palco. Assim como no carnaval, a moçada do rock da tarde vai em busca de curtição e principalmente azaração, procurando os lugares com maior concentração de pessoas do sexo oposto. Infelizmente, neste quesito o rock não pode competir com axé, pagode e forró, por isso sai prejudicado.

Como participante do Rock da Tarde, percebi que a grande maioria das pessoas que passam pelo palco livre, onde tocam as bandas de rock, ficam uma ou duas músicas, zoam um pouco, talvez dão um beijo na boca, e depois saem, o que me leva a concluir que a grande maioria do público está presente não pela música, mas pela “zoação”, assim como acontece numa micareta.

Assista ao vídeo de Volume 7 tocando “Avalanche” no Rock da Tarde:

Por isso o Festival de Alegre é o que é. Entre o público, encontram-se desde metaleiros até cowboys, tentando agradar a todos os gostos, mas todos possuem um motivo em comum: a curtição, independente do estilo musical.

É fato que, se a organização do Palco Livre estivesse interessada em maior fluxo de pessoas, se daria melhor se colocasse mais bandas de axé, pagode ou forró. Mas se a intenção é manter a miscigenação musical, nós roqueiros agradecemos, pois tocaremos, curtiremos e entraremos no clima! Afinal, quem não gosta de uma boa “bagunça”?

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