In English, please – “The Vintages”

Alex Nakaóka - [alexdefabri@yahoo.com.br] 

Bateria checada. Câmera na mão. Destino: Vila Velha. É para a mais antiga cidade do Estado que parto para a terceira filmagem da nossa série de “Punk Rock”. É final de tarde de um domingo – 20 de maio. Com bastante coragem pego o Transcol 507, que nem de longe parece o ônibus lotado dos dias de semana e vou entrevistar mais uma banda, que se enquadra no estilo “Bubble Gum” (som que bate e gruda, segundo os próprios músicos).

Chego no terminal e me encontro com o vocalista e guitarrista da banda “The Vintages”, Marcelo Durão. Juntos, partimos pra outra viagem, até o estúdio alugado onde a banda realiza seus ensaios.

Ao chegar no estúdio, conheço o resto da banda. O guitarrista Pedro Henrique (“Peu”), o baterista Róbson Simões (“Tibil”) e o baixista Rodrigo Giuberti começam a preparar seus instrumentos, em meio a gozações com Durão, que demora alguns minutos pra afinar sua guitarra.

O começo do ensaio é rápido, afinal, sem estúdio próprio, tempo significa dinheiro.
A banda se empolga ao tocar canções como “From My Heart”, “Get Out”, “Stop Complaining” e “Hey Hey Girl”, todas em inglês, opção escolhida por fazer parte, segundo os próprios integrantes, do estilo da música, que busca relembrar coisas antigas e bandas como Ramones, que são a sua fonte maior de inspiração.

Após o ensaio e uma arrumação rápida dos instrumentos, a banda se prepara para a entrevista.

Alex Nakaóka: Como surgiu a banda?

The Vintages: A gente tinha uma banda de hardcore e ensaiava na casa de um amigo nosso. Depois dos ensaios a gente ficava tocando Ramones. E o nosso estilo é parecido com os Ramones. Daí, no final de 1999, surgiu a banda.

Alex Nakaóka: Porque o nome The Vintages?

The Vintages: No começo a gente tinha alguns nomes em mente, tipo “Os Primatas”. Escolhemos The Vintages porque remete à coisa antiga. Temos influência de Pink Floid, Elvis, Ramones e de outras bandas dos anos 60 e 70, daí vem a idéia do nome.

Alex Nakaóka: Todos vocês vivem de música?

“Tibil”: Eu sou vendedor. Vendo equipamento hidráulico. Meu chefe é legal, sabe que tenho tatuagem. Mas nem deve saber que eu tenho banda.
Rodrigo Giuberti: Eu sou técnico de informática. Se eu pudesse viveria de música. Mas no cenário capixaba é complicado. Todos nós exercemos outras atividades. A música acaba virando um robby mesmo.

Alex Nakaóka: Porque a banda só faz músicas em inglês?

The Vintages: Fizemos a opção de cantar em inglês porque é meio o estilo da banda. A maioria das bandas do nosso estilo começam cantando em inglês e depois passam a cantar só em português. E fica uma coisa melódica, tipo CPM22. Não é essa a nossa intenção. Além do mais, se nós cantarmos errado em inglês, pouca gente vai perceber.

Alex Nakaóka: Em relação aos locais de show, existem muitos em Vitória?

The Vintages: Existem poucos lugares em Vitória pras bandas alternativas. Alguns em Vila Velha e talvez o Teacher´s Pub, na Praia do Canto, embora não seja um local adequado pro nosso tipo de som. Existe um preconceito grande com o Punk Rock. Se ouvem uma distorção na vizinhança, já ligam pro disque-silêncio.

Alex Nakaóka: E como vocês vêem o mercado capixaba de música alternativa?

The Vintages: Falta incentivo pras bandas alternativas. Se a gente tivesse em São Paulo, por exemplo, que tem um mercado independente do resto do país, seria bem mais fácil. Aqui a gente não dificilmente encontra gravadora. Até pra fazer show é complicado. Os caras ficam com preconceito, mas quando decidem fazer, lucram.

Alex Nakaóka: Vocês têm algum CD gravado?

The Vintages: Temos duas gravações com a formação antiga (2004). A gente gravou um CD agora em 2006. No Brasil a gente não conseguiu selo. Arrumamos um selo gringo e o Cd vai ser lançado só nos Estados Unidos. E a gente vai receber algumas cópias pra divulgar aqui.

Alex Nakaóka: Vocês tiveram apoio da família?

 “Tibil”: Não. Minha mãe e minha avó são legais, mas quanto a isso, nunca proibiram, mas também nunca incentivaram.

Giuberti: Minha família não era contra, mas também nunca me incentivou a seguir essa carreira.

Marcelo Durão: Minha mãe chegou a quebrar minha guitarra. Ela detesta. Se pudesse me impedir, ela o faria. As bandas de punk rock estão associadas a drogas, vagabundos. Tem um preconceito muito grande ainda. Mas ela percebeu que rock é o que eu gosto de fazer.

Alex Nakaóka: Quais são as formas de contato e divulgação da banda?

The Vintages: O boca-a-boca ainda funciona bem. Temos tamém um site, que tá fora do ar por falta de pagamento. Mas que vai voltar em breve, assim que pagarmos o domínio. E tem também o My Space, Orkut, que também funcionam bem como formas alternativas de divulgação.

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