Alex Nakaóka – [alexdefabri@yahoo.com.br]
Terça-feira à noite. A chuva e o estranho frio que não costuma fazer em Vitória me desanima a sair de casa. Mas com o compromisso marcado, lá vou eu pra Mata da Praia, entrevistar e filmar a banda “Take Me…”. O Estúdio bem equipado e com excelente acústica, digna de um bom investimento, fica na casa do guitarrista Léo. Ao chegar, sou recebido por uma mulher e vários cachorros, até que chego aos fundos da casa, local onde fica o estúdio.
Na entrada vejo uma placa escrita: “Não entre com sapatos”. Bato na porta e ninguém atende. Após um tempo, descubro que está destrancada e, desatento, entro com os sapatos, ignorando o aviso. Logo sou repreendido pelos componentes da banda. Após a vergonha inicial, começamos um papo descontraído, até que Marcelo (baterista), Léo (guitarrista), Jean (vocal e guitarrista) e Jorginho (baixista) começam a ensaiar, com gozações e brincadeiras entre uma canção e outra.
Entrevista:
Alex Nakaóka: Porque banda “Take Me”?
Take Me… : A gente tirou o nome de uma música. A música chamava-se “Take Me to the river”. Aí, pra não ficar esse nome grande a gente colocou “Take Me” três pontinhos (…)”. A gente deixa as pessoas imaginarem o porque do nome. O que você acha que o nome sugere?
Alex Nakaóka: Sei lá. Talvez uma banda Emo ou alguma coisa assim.
Take Me… : É. Pode ser isso mesmo.
Alex Nakaóka: Vocês são Emo?
Take Me…: Não. Acho que não, né… Mas se quiserem achar que nós somos não tem problema.
Alex Nakaóka: Por falar em Emo, o que vocês teriam a dizer sobre esse estilo?
Take Me… : A gente não tem preconceito com nada. Vimos até um cara que não tinha franja e pintou uma cor-de-rosa na cabeça. A gente vê um monte de adolescentes se vestindo de preto, se maquiando, cheio de piercings. É meio que uma moda. Cada um é livre pra fazer o que quer.
Alex Nakaóka: Como vocês definem o som da banda?
Take Me… : A gente faz o estilo “Pop Punk”. A gente sofre até um preconceito, por ter pessoas que tocam a mais tempo, que já tocaram em bandas mais famosas. Aí os caras chamam a gente de playboy. Mas a gente acha que se temos condições de tocar melhor, de comprar equipamentos de boa qualidade pra agradar mais os fãs, a gente tem que fazer.
Alex Nakaóka : Vocês têm algum álbum gravado?
Take Me… : A gente gravou um disco totalmente independente, com o dinheiro do nosso bolso. O selo é de uma gravadora do Rio de Janeiro. A idéia era gravar um disco novo até o final do ano. Tá meio complicado, porque todos os componentes têm mais de uma banda, pensamentos diferentes, jeitos diferentes de fazer música. Mas quando sair vai ficar legal.
Alex Nakaóka: Como vocês avaliam o mercado fonográfico capixaba?
Take Me… : O mercado capixaba é muito fechado. O congo domina o mundo aqui. E pro rock normalmente não sobra muito espaço. A gente encontra muita dificuldade com isso.
Alex Nakaóka: O que vocês acham dos CDs piratas?
Take Me… : A gente acha sacanagem piratiarem o CD original. Se os caras baixam da Internet não tem problema, mesmo porque não dá pra impedir isso. E serve também como forma de divulgação da banda. A gente tem consciência que CD não ganha mais dinheiro. As vendas diminuíram muito por causa da pirataria e de outras formas de copiar o CD. Tanto que as premiações de disco de ouro, platina, caíram muito também. Mas sempre tem aqueles que gostam da banda e compram o CD pra prestigiar e ajudar a gente.
Alex Nakaóka: Quais os meios que vocês utilizam para fazerem a divulgação da banda?
Take Me… : Como a gente pertence a um estilo de música alternativa, a gente utiliza meios alternativos também. Temos o fotolog, usamos o My Space e o boca-a-boca também funciona muito bem.