Essa é a principal proposta da banda capixaba “Webt” em seu primeiro CD “Cantigas de Roda”. Gravado, mixado e masterizado no estúdio BPM, em Copacabana, o registro foi produzido por Zé Felipe, nome pelo qual já passaram bandas consagradas do punk rock nacional, como Carbona, Staples e Ack.
O trio, formado por Rodrigo Arqlek nas guitarras e vocais, Manéu na bateria e um terceiro membro que atende pelo nome de “El Ocho Felino” no baixo, denomina o seu estilo de “toskore”, um punk hardcore que é tosco propositalmente.
O próprio nome do CD já sugere algo irreverente (Cantigas de Roda em uma banda de hardcore), e o registro é fiel ao esperado. São 14 faixas de punk rock tosco que atingem no máximo dois minutos cada uma. As influências são variadas girando não só em torno da música (como Mukeka di Rato, Ramones e Beach Boys), como da televisão (Chaves e Chapolin) e de brincadeiras de infância.
A gravação não é de qualidade ruim, mas o som é mal-tocado propositalmente, dando a impressão de que a gravação faz jus ao som.
Temos de reconhecer que é nobre a iniciativa dos organizadores do Rock da Tarde, no Festival de Alegre, em priorizar o rock como estilo dominante entre as atrações do Palco Livre. É um favor às bandas de rock, já que os shows no palco principal do festival priorizam outros estilos mais populares.
O Rock da Tarde remonta ao carnaval de rua das principais cidades de interior, onde a confusão sonora é constante. Carros de som, raves em festinhas particulares, bandas de pagode e forró e o rock do palco livre se misturam num grande bacanal sonoro.
Deste modo, o grande obstáculo para as bandas do estilo passa a ser o público, e não o palco. Assim como no carnaval, a moçada do rock da tarde vai em busca de curtição e principalmente azaração, procurando os lugares com maior concentração de pessoas do sexo oposto. Infelizmente, neste quesito o rock não pode competir com axé, pagode e forró, por isso sai prejudicado.
Como participante do Rock da Tarde, percebi que a grande maioria das pessoas que passam pelo palco livre, onde tocam as bandas de rock, ficam uma ou duas músicas, zoam um pouco, talvez dão um beijo na boca, e depois saem, o que me leva a concluir que a grande maioria do público está presente não pela música, mas pela “zoação”, assim como acontece numa micareta.
Assista ao vídeo de Volume 7 tocando “Avalanche” no Rock da Tarde:
Por isso o Festival de Alegre é o que é. Entre o público, encontram-se desde metaleiros até cowboys, tentando agradar a todos os gostos, mas todos possuem um motivo em comum: a curtição, independente do estilo musical.
É fato que, se a organização do Palco Livre estivesse interessada em maior fluxo de pessoas, se daria melhor se colocasse mais bandas de axé, pagode ou forró. Mas se a intenção é manter a miscigenação musical, nós roqueiros agradecemos, pois tocaremos, curtiremos e entraremos no clima! Afinal, quem não gosta de uma boa “bagunça”?
Bateria checada. Câmera na mão. Destino: Vila Velha. É para a mais antiga cidade do Estado que parto para a terceira filmagem da nossa série de “Punk Rock”. É final de tarde de um domingo – 20 de maio. Com bastante coragem pego o Transcol 507, que nem de longe parece o ônibus lotado dos dias de semana e vou entrevistar mais uma banda, que se enquadra no estilo “Bubble Gum” (som que bate e gruda, segundo os próprios músicos).
Chego no terminal e me encontro com o vocalista e guitarrista da banda “The Vintages”, Marcelo Durão. Juntos, partimos pra outra viagem, até o estúdio alugado onde a banda realiza seus ensaios.
Ao chegar no estúdio, conheço o resto da banda. O guitarrista Pedro Henrique (“Peu”), o baterista Róbson Simões (“Tibil”) e o baixista Rodrigo Giuberti começam a preparar seus instrumentos, em meio a gozações com Durão, que demora alguns minutos pra afinar sua guitarra.
O começo do ensaio é rápido, afinal, sem estúdio próprio, tempo significa dinheiro.
A banda se empolga ao tocar canções como “From My Heart”, “Get Out”, “Stop Complaining” e “Hey Hey Girl”, todas em inglês, opção escolhida por fazer parte, segundo os próprios integrantes, do estilo da música, que busca relembrar coisas antigas e bandas como Ramones, que são a sua fonte maior de inspiração.
Após o ensaio e uma arrumação rápida dos instrumentos, a banda se prepara para a entrevista.
Alex Nakaóka: Como surgiu a banda?
The Vintages: A gente tinha uma banda de hardcore e ensaiava na casa de um amigo nosso. Depois dos ensaios a gente ficava tocando Ramones. E o nosso estilo é parecido com os Ramones. Daí, no final de 1999, surgiu a banda. Leia o resto deste post »
Terça-feira à noite. A chuva e o estranho frio que não costuma fazer em Vitória me desanima a sair de casa. Mas com o compromisso marcado, lá vou eu pra Mata da Praia, entrevistar e filmar a banda “Take Me…”. O Estúdio bem equipado e com excelente acústica, digna de um bom investimento, fica na casa do guitarrista Léo. Ao chegar, sou recebido por uma mulher e vários cachorros, até que chego aos fundos da casa, local onde fica o estúdio.
Na entrada vejo uma placa escrita: “Não entre com sapatos”. Bato na porta e ninguém atende. Após um tempo, descubro que está destrancada e, desatento, entro com os sapatos, ignorando o aviso. Logo sou repreendido pelos componentes da banda. Após a vergonha inicial, começamos um papo descontraído, até que Marcelo (baterista), Léo (guitarrista), Jean (vocal e guitarrista) e Jorginho (baixista) começam a ensaiar, com gozações e brincadeiras entre uma canção e outra.
Entrevista:
Alex Nakaóka: Porque banda “Take Me”?
Take Me… : A gente tirou o nome de uma música. A música chamava-se “Take Me to the river”. Aí, pra não ficar esse nome grande a gente colocou “Take Me” três pontinhos (…)”. A gente deixa as pessoas imaginarem o porque do nome. O que você acha que o nome sugere? Leia o resto deste post »
O mais novo nome do Rio-core, a banda Strike, estréia com um álbum de alta qualidade de gravação e produção em suas 11 faixas. Muitas programações eletrônicas, toques de teclado e alguns violões dão um toque especial ao restante do som.
O carro chefe do CD é “Paraíso Proibido”, música que resume o álbum – videoclip abaixo. A música conta também com uma comunidade no orkut onde se reúnem quase 5 mil pessoas.
Além de programações eletrônicas em “Paraíso Proibido” se tem os famosos “scratches”, típico dos dj´s de hip hop, aliado a vocais de ragga. A mistura faz lembrar o primeiro CD do Good Charlotte, que abusa destes elementos.
As outras faixas do álbum
“Aquela História” é um punk pop direto, sem enfeites eletrônicos, e com ótima melodia vocal. A faixa que mais se difere das demais músicas do álbum é “O Jogo Virou”. Isso porque, apesar dos aparatos eletrônicos e scratches, a música foi toda tocada em violão. A mensagem da letra é típica do Rio-Core e contém influências inegáveis da banda Sublime.
Com toda essa diversidade musical em seu CD de estréia, a Strike tem tudo para triunfar não só dentro do público de punk rock, pois a super produção – superior às demais bandas do Rio-core – deixou o álbum altamente comerciável. “Desvio de Conduta” cairá como uma luva para uma nova geração que se identifica com um som jovem, e um jeito “Peter Pan” de ser.
Um sem-número de caracterizações surgem quando se tenta definir algumas vertentes musicais. E não é difícil que o efeito seja contrário ao que se possa pretender. Buscar definir em qual estilo se encaixa certa banda pode gerar muita confusão – como já vi em vários fóruns musicais espalhados pela net. Dentro do punk rock/hardcore não é diferente.
E agora, para embaralhar de vez a cabeça dos ouvintes, os tupiniquins inventam o termo Rio-core.
Definição – O Rio-core, assim como os outros subgêneros do punk/hardcore, tem as suas peculiaridades. É um punk rock pop e alto-astral que traduz o espírito de diversão e descontração associado ao carioca. Às vezes as bandas utilizam até influências de reggae. Com menos lirismo, as letras passam mensagens diretas e abusam de gírias e expressões características dos adolescentes e jovens locais. Não que as bandas desse subgênero só possam ser cariocas, mas precisam se encaixar nesse espírito.
Em geral, o público desse segmento é adolescente de classe média que é identificado pelo som “curtição”, a filosofia “Peter Pan” e as mensagens hedonistas das músicas.
Características – Não existe um estilo que caracterize o modo de se vestir desse público – o que acontece com Emocore, por exemplo. O som atinge a várias tribos além dos roqueiros, como surfistas, skatistas, “jiu-jiteiros” e até baladeiros.
As principais representantes do Rio-core são Forfun, Darvin e Dibob do Rio de Janeiro, e Strike, de Minas Gerais. O estilo se popularizou após o lançamento de “Teoria Dinâmica Gastativa”, primeiro CD da banda Forfun, que estourou na mídia televisiva com o clipe da música “História de Verão”. Clipe e música resumem bem o estilo: a música se utiliza de uma linguagem bem adolescente e descolada enquanto que o clipe representa o hedonismo juvenil ao reproduzir uma típica festa de classe média com muita diversão e azaração.
A democratização dos meios de produção abre espaço para que as pessoas tenham acesso mais facilmente a internet e aos dispositivos de distribuição em rede. Agora é possível produzir vídeos, publicar livros e gravar músicas na plataforma Web.
Sites como Itunes (música), Youtube (video), Orkut (relacionamentos) e Lulu.com (editoração) atuam como ferramentas para alimentar a criatividade e produção de uma geração àvida por novidades e últimas tecnologias.
O Punk Rock não inaugurou apenas um estilo de rock. O estilo também é pioneiro na iniciativa de buscar por espaços de autonomia para a produção de cultura e subjetividade. Bem na filosofia do “Faça você mesmo!”
Nesta linha e a partir da ampliação do acesso às novas tecnologias, muitos dos chamados amadores passam a usardessas novas ferramentas para produzirem seus vídeos, músicas e textos disponibilizando-os em rede – youtube, blogs, fotologs, podcast e myspace.
É nesse sentido que aumenta a divulgação de materiais pela internet. O crescente número de blogs, fotologs e sites brasileiros indicam como os jovens, principalmente, estão inseridos nas networks e listas de divulgação de produtoras dos estilos de que mais gosta.
Um exemplo desta nova modalidade de divulgação de projetos é a produtora Atitute! Eventos que usa Orkut, fotologs, e blogs para a divulgar os eventos da cena independente capixaba.
Pouca estrutura de palco, com iluminação baixa, na maioria das vezes feita por um jogo de luz fraco. Palco tão baixo e pequeno que faz o músico se diferenciar da platéia apenas pelo instrumento. Caixas de som trazidas pelas próprias bandas. Estrutura física a desejar, porém com muita performance, riffs, melodias, pegada, feeling e, principalmente, prazer. Assim é a maioria dos shows no cenário do rock alternativo, que possui bandas e músicos à margem da indústria fonográfica. Não tocam nas grandes rádios e não têm muita voz na mídia. Mas, em seus espaços de divulgação cultural, dão seus recados e utilizam dos recursos ao alcance para se fazerem conhecidos pelo seu público.
Banda Forgotten Land em apresentação no bar Anchietinha, em Vitória – uso de recursos simples e proximidade com o público.
No início da Caverna eram os amigos de Simpson que tinham contato com as bandas novas e as convidavam pra tocar no bar. Depois, o famoso ‘boca a boca’ foi espalhando o espaço para o público mais alternativo. Com a internet, tudo ficou mais fácil. Os fotologs, blogs, perfis e comunidades do Orkut abastecem o público com informações, fotos, vídeos e as músicas das bandas. Isso facilita bastante conhecer o trabalho dos iniciantes e manter contato.
A internet é fundamental. O bar funciona através da internet. Atinge o público alvo. Enquetes e debates também são feitos. Não somos totalmente comerciantes