O mais novo nome do Rio-core, a banda Strike, estréia com um álbum de alta qualidade de gravação e produção em suas 11 faixas. Muitas programações eletrônicas, toques de teclado e alguns violões dão um toque especial ao restante do som.
O carro chefe do CD é “Paraíso Proibido”, música que resume o álbum – videoclip abaixo. A música conta também com uma comunidade no orkut onde se reúnem quase 5 mil pessoas.
Além de programações eletrônicas em “Paraíso Proibido” se tem os famosos “scratches”, típico dos dj´s de hip hop, aliado a vocais de ragga. A mistura faz lembrar o primeiro CD do Good Charlotte, que abusa destes elementos.
As outras faixas do álbum
“Aquela História” é um punk pop direto, sem enfeites eletrônicos, e com ótima melodia vocal. A faixa que mais se difere das demais músicas do álbum é “O Jogo Virou”. Isso porque, apesar dos aparatos eletrônicos e scratches, a música foi toda tocada em violão. A mensagem da letra é típica do Rio-Core e contém influências inegáveis da banda Sublime.
Com toda essa diversidade musical em seu CD de estréia, a Strike tem tudo para triunfar não só dentro do público de punk rock, pois a super produção – superior às demais bandas do Rio-core – deixou o álbum altamente comerciável. “Desvio de Conduta” cairá como uma luva para uma nova geração que se identifica com um som jovem, e um jeito “Peter Pan” de ser.
A democratização dos meios de produção abre espaço para que as pessoas tenham acesso mais facilmente a internet e aos dispositivos de distribuição em rede. Agora é possível produzir vídeos, publicar livros e gravar músicas na plataforma Web.
Sites como Itunes (música), Youtube (video), Orkut (relacionamentos) e Lulu.com (editoração) atuam como ferramentas para alimentar a criatividade e produção de uma geração àvida por novidades e últimas tecnologias.
Pirataria. Receptáculo de idéias. Democratização do conhecimento e de sua produção. Esses foram alguns dos temas discutidos em entrevista com Alexandre Curtiss - professor dr. do Departamento de Comunicação Social da Ufes e coordenador do Grupo de Estudos Audiovisuais (Grav).
No capitalismo cognitivo é possível se manter somente como “receptáculo de idéias”? O processo de democratização dos meios de comunicação não precisa ser reavaliado. Uma das discussões feitas por Maurizio Lazzarato, no seminário O Comum, que aconteceu entre os dias 21 e 25 de maio de 2007, é que não basta ter acesso ao conhecimento já existente e às ferramentas (computadores, internet). É fundamental participar do processo de produção.
Você concorda com a afirmação? Por quê?
Alexandre Curtiss: Sempre é possível ser apenas “receptáculo de idéias”. É um lugar do processo de comunicação. Ele é pacífico, conformista, calculado e tem pânico de qualquer esforço, sofrimento, risco. Portanto é ainda muito procurado e bem sucedido.
Concordo com a afirmação de Lazzarato sobre não bastar ter acesso à informação, ao conhecimento (na verdade, aos instrumentos de acesso).
Diversidade – Os estilos são tantos que para não me enganar e deixar alguém nervoso, preferi agregar logo todos ao título. A história punk rock no estado pode até ser recente, mas com certeza já tem muita coisa para contar. E quem deu uma força na hora de explicar (ou pelo menos tentar) de onde e como surgiu o movimento foi o Marcelo Buteri, atualmente professor por profissão e baterista em duas bandas capixabas por vocação.
Aos 28 anos, sem piercings ou tatuagens visíveis, de camisa pólo e com muita tranqüilidade, o baterista das bandas “Os Pedrero” (comunidade do orkut) e “TakeMe” (comunidade no orkut e MySpace) além de acabar com o estereótipo de que todos os que curtem um som mais “pesado” são revoltados, mostrou também que música é vontade, paixão, passar raiva, não ter dinheiro, mas principalmente, é muita diversão.
Vídeo clip desenvolvido para a banda Os Pedreiro veiculado na MTV
Havia rivalidade entre bandas de metal, punk e hardcore e até entre municípios. Buteri explica que havia preconceito, mas não no sentido musical, e sim entre os “playboys” de Vitória e os “podrões” de Vila Velha. Hoje, aos 28 anos, ele acha graça dessa “rixa”.