O estilo Rio-core de ser

Junho 6, 2007

Gustavo Gouveia – [guga_gouveia@yahoo.com.br]

Um sem-número de caracterizações surgem quando se tenta definir algumas vertentes musicais. E não é difícil que o efeito seja contrário ao que se possa pretender. Buscar definir em qual estilo se encaixa certa banda pode gerar muita confusão – como já vi em vários fóruns musicais espalhados pela net. Dentro do punk rock/hardcore não é diferente.

E agora, para embaralhar de vez a cabeça dos ouvintes, os tupiniquins inventam o termo Rio-core.

Definição – O Rio-core, assim como os outros subgêneros do punk/hardcore, tem as suas peculiaridades. É um punk rock pop e alto-astral que traduz o espírito de diversão e descontração associado ao carioca. Às vezes as bandas utilizam até influências de reggae. Com menos lirismo, as letras passam mensagens diretas e abusam de gírias e expressões características dos adolescentes e jovens locais. Não que as bandas desse subgênero só possam ser cariocas, mas precisam se encaixar nesse espírito.

Em geral, o público desse segmento é adolescente de classe média que é identificado pelo som “curtição”, a filosofia “Peter Pan” e as mensagens hedonistas das músicas.

Características – Não existe um estilo que caracterize o modo de se vestir desse público – o que acontece com Emocore, por exemplo. O som atinge a várias tribos além dos roqueiros, como surfistas, skatistas, “jiu-jiteiros” e até baladeiros.

As principais representantes do Rio-core são Forfun, Darvin e Dibob do Rio de Janeiro, e Strike, de Minas Gerais. O estilo se popularizou após o lançamento de “Teoria Dinâmica Gastativa”, primeiro CD da banda Forfun, que estourou na mídia televisiva com o clipe da música “História de Verão”. Clipe e música resumem bem o estilo: a música se utiliza de uma linguagem bem adolescente e descolada enquanto que o clipe representa o hedonismo juvenil ao reproduzir uma típica festa de classe média com muita diversão e azaração.

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Uma questão de estilo

Maio 1, 2007

Geise Frigini - [geisefrigini@hotmail.com]

Nathália Poloni - [nathaliapoloni@hotmail.com]

Marcelle Susan, Juliana, Luana chamam a atenção por onde passam por causa do seu estilo inusitado 

As amigas L�via Beatriz, Vanessa dos Santos, Jordana Ol�via, Gisele Baltoã contam histórias sobre o preconceito que elas sofrem

Qual a sua reação ao ver um jovem na rua, em um restaurante, loja, supermercado ou qualquer outro lugar público vestido com roupas pretas, tênis All Star e maquiagem pesada?

( ) Acha super natural e concorda que a pessoa tem atitude e é descolada

( ) Não acha nada, considera que o modo como as pessoas se vestem não é problema seu

( ) Fica super indignado e fica pensando como alguém pode se vestir daquele jeito, que é uma afronta a moral e aos bons costumes da sociedade

Muitos jovens que curtem rock, qualquer que seja o estilo, e se vestem de maneira diferente, já foram alvo de críticas e agressões de pessoas que se identificam com a última opção. Casos não faltam para confirmar o preconceito sofrido por quem curte esse estilo por parte da sociedade. Jordana Olívia, que tem 19 anos e gosta do rock gótico, já coleciona uma série de histórias, que ela conta entre gargalhadas.  “A gente ouve muitas repreensões por se vestir desta maneira. Seja na escola, no ônibus ou ainda na rua”.

“Teve uma dia que eu estava no Terminal e uma mulher olhou para mim e disse –  minha Nossa Senhora! – daí a filhinha dela olhou para ela e falou – mamãe, hoje é sexta-feira 13, dia da bruxas! – então eu virei para a menininha e falei – é verdade, eu sou a bruxa! Caramba, a menina começou a chorar na hora”, conta Jordana para suas amigas, entre risadas.

Juliana, 15 anos, também já foi alvo de preconceito várias vezes.

“Uma vez, eu estava sentada no ônibus e um menino da minha escola começou a jogar casca de mexerica em cima de mim. Ele jogou uma, duas vezes e eu fiquei quieta. Na terceira vez não agüentei. Virei para trás e cuspi na cara dele! Só assim ele parou de me importunar”.

Família

Conflitos ou qualquer tipo de discriminação por parte dos pais não fazem parte da rotina das duas adolescentes. Elas garantem que o pai e a mãe aceitam na boa o seu estilo de vida e de roupa. “Quando eu coloquei o meu piercing, meu pai não falou nada. Ele não discordou da minha atitude. Só pediu para que eu não fizesse tatuagem logo, porque é algo definitivo, tem que estar certo da sua escolha”, diz Jordana.

Emos

Entre as tribos do rock, o principal alvo de críticas e preconceito são os admiradores de emocore. Os emos, como são chamados, sofrem todo o tipo de acusação. É comum ouvir entre os roqueiros afirmações ofensivas sobre o estilo, a orientação sexual e o tipo de som que eles ouvem.Já se tornou comum todos os emos serem rotulados de gays. Luana, 14 anos, é emo e participa dos encontros da tribo no Shopping Vitória, todos os sábados.  Ela conta que alguns amigos são homossexuais, mas isso não é maioria entre a galera emo.Os outros grupos que freqüentam o Shopping Vitória evitam se misturar com os emos e se ofendem quando são confundidos com eles. Existe ainda um grupo de roqueiros que vão ao local para agredir os admiradores de emocore. Luana e a amiga Marcelle Susan, 15 anos, dizem que uma amiga emo foi até agredida por causa do seu estilo. Também existe a galera que acha que o preconceito não está com nada. Uma delas é Juliana, que é gótica industrial e usa roupas e acessórios exagerados e maquiagem pesada. Ela tem amigos emos e sempre sai com eles, apesar da diferença de estilos. No entanto, Juliana reclama dos “emos de modinha”, aquelas pessoas que aderem ao estilo emocore só porque está na moda.

Emocore – O nome é uma variação do “hardcore emocional”. Porém, o termo “emo” sempre foi considerado pejorativo. Essa vertente sentimental do rock’n’roll  vêm ganhando muitos adeptos aqui no Brasil. Bandas como NX Zero, Fresno e Forfun estão entre as preferidas dessa tribo, além da banda americana Simple Plan. Os fãs se identificam com as letras das músicas que falam de romances, do relacionamento entre pais e filhos e de outros sentimentos comuns na adolescência.

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01/05 – Emo 


Emo

Maio 1, 2007

Fotos: Flickr  

Por Juliana Farias [juli.farias@yahoo.com.br]

O estilo certinho, a moda que está em todo o lugar, o cabelo arrumadinho, as roupas da cor rosa para os meninos e preta para as meninas não têm sido bem aceitas pela comunidade roqueira.

Na  apresentação do projeto”domingo é dia de rock“,  no Teacher’s Pub, 22/4,  foi visível o preconceito e a não aceitação dos emos entre os metaleiros presentes. Os comentários sobre um emo que apareceu para conferir o show eram: “nossa que cara ridículo, tá de rosa, que horrível, fala sério” e ainda que o tal rapaz era “filhinho de mamãe”. Claro, depois todos caíam na gargalhada. 

O sentimento mais evidenciado foi a discriminação. Resta saber, existe ciúme dos outros sub-gêneros do rock pelo sucesso e moda dos emos, ou é tudo por uma questão de não atingir a raiz de protesto do rock?

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30/04 - Quando o punk rock cedeu a melancolia

30/04 - o Espírito emo em terras capixabas


Espírito Emo – O Emo em terras capixabas

Abril 30, 2007

Letícia Gonçalves – [leticia_jornal@yahoo.com.br]

Liege Nogueira - [liege_nogueira@yahoo.com.br]

Apesar de ter surgido nos Estados Unidos no início da década de 80, o estilo Emo só começou a tomar notoriedade no Brasil em 2003. Sob a influência norte-americana, adolescentes de São Paulo e de outras capitais do Sul e do Sudeste passaram a adotar o comportamento, o visual e a música Emo.
 
No Espírito Santo, representantes dessa nova onda transitam pelas ruas com fácil identificação, graças ao estilo de roupas e cabelos adotado. O Shopping Vitória e a Praça dos Namorados são alguns dos principais pontos de concentração da tribo.

Já existe até um flogão só para postagens de fotos dos freqüentadores do Shopping.

De acordo com Luáh, 14, a turma se reúne no Shopping Vitória, aos sábados a partir das 14h, para bater papo. É um local de descontração, onde os Emos e outros fãs de rock se sentem à vontade para conversar sobre música e outros assuntos referentes ao grupo, diz Luáh.
 
As bandas são diversificadas entre os mais de dez Emos que se encontram no local.  “NX Zero, Emoponto, Fresno, Forfun, Simple Pan são algumas das minhas bandas favoritas”, citou Luáh. No entanto, outros membros do grupo desaprovam as bandas que a adolescente escuta.
 
Apesar das diferenças musicais, as divergências acabam por aí. Quando o assunto é preconceito todos têm a mesma opinião. Todos já sofreram preconceito, mas não ligam para isso. Os contatos virtual e real que o grupo possui, somente os fortalecem. A união é tão grande que eles são capazes de dividir o mesmo milk shake.
 
Estilo e recreações à parte, o “Emocore” também já teve representantes capixabas. Index, Segunda-feira e Mono são alguns dos exemplos citados por Guilherme Piccin, o hoje analista de sistemas, ex-integrante da Simple Present, outra banda por ele enquadrada como Emo.
 
Mas isso foi nos “velhos tempos”, entre 2002 e 2003, quando o estilo ainda não era marcado pelo visual, como é hoje.

“Antes, essas bandas conviviam com o movimento Punk Rock, faziam parte dele apesar de terem letras mais introspectivas. O público das bandas Emo, que nem era muito chamado assim, era o mesmo do hardcore. Quem ia aos shows dessas bandas era a mesma galera que ia ao show d’Os Pedrero” , lembra Guilherme.
 
A nova “roupagem” do Emo já não agrada ao antigo fã de bandas como Hateen. “Hateen era considerado Emo naquela época, mas não como é agora, eu tenho todos os cds deles, menos o último, e não quero ter”.
 
Questionado sobre o porquê do fim da convivência entre os Emos e o movimento Punk Rock do qual se originaram, Guilherme hesita um pouco. Mas qual seria a diferença geradora da rejeição total ao Emo por parte do Punk Rock? “Eles querem aparentar algo que não são, ser ‘cools’. É mais visual e menos musical”, explica Guilherme.
 
Manual do Emo iniciante

Quer saber como se tornar um Emo? Então clique no link abaixo e confira as características fundamentais para se tornar um!

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Quando o Punk Rock cedeu à melancolia

Abril 30, 2007

Letícia Gonçalves [leticia_jornal@yahoo.com.br]

Liege Nogueira [liege_nogueira@yahoo.com.br]

O movimento Punk Rock, como a maioria das escolas musicais que sobrevivem à contemporaneidade, adquiriu novas características, incorporou e desenterrou estilos. De uma dessas mudanças, o Emo surgiu.

Bandas como My Chemical Romance, Fall Out Boy e Panic! at the Disco ou, para citar alguns exemplos brasileiros,  Hateen, Emo. e NXzero , fazem sucesso entre o público de roupas pretas, lápis de olho e franja que esconde um dos olhos. A fórmula consiste em acordes rápidos e letras melódicas.

Mas o Emo não teve origem no século XXI, ao menos não como fenômeno pop. Desde os anos 1980, bandas que nasceram no movimento Punk Rock como Rites of Spring, Fugazi e Jawbreaker já adotavam letras introspectivas e vocais melódicos. Tudo isso teve início em Washington D.C. e na Califórnia, nos Estados Unidos.

De idéias contestadoras e políticas a relacionamentos. Essa é a principal mudança que 20 anos depois ainda domina o “Emocore”, origem da palavra Emo, uma referência às transformações que o Hardcore sofreu para dar origem ao estilo.

O Emo também passou por várias fases até se tornar o que é hoje. O visual, por exemplo, só começou a ser adotado amplamente nos últimos dois anos. Além de o estilo, a música é, acima de tudo, emotiva, sensível, capaz de mexer com os sentimentos humanos.


O público ontem e hoje

Abril 25, 2007

Ronald Alves - [ronaldsalves@yahoo.com.br]

A cena do rock mudou nessas últimas décadas. Para Marcelo Buteri, antes havia uma rivalidade gratuita entre as bandas que ele não consegue explicar:

“Banda de Metal não dialogava com banda de punk rock, que achava que hard core era coisa de “playboy”. Por isso não se misturavam. Hoje isso não acontece mais. E é bem melhor assim”

Mas não foi só isso que aconteceu. O punk rock nasceu, na década de 1970, como música de forte cunho político, um instrumento artístico de protesto e revolta. De algumas alterações desse movimento, no decorrer dos anos 80, aparece o hard core, com músicas mais melódicas e letras que trocam o protesto característico pela emoção pessoal. É a partir daí que surge o emo, que se apropria desse som e adiciona elementos extra-musicais, como o visual característico. Para Buteri, emo é mais moda que música e tem muita influência da TV, com seus canais e programas de música e da internet.

“Tenho uma teoria que o emo nasceu na internet, no msn, no Orkut, essas coisas…”, brinca.

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