Quem diria que na pacata Conceição de Castelo, com apenas 11 mil habitantes, exista amantes do rock ‘n’ roll. Pois acredite, existe! Há dois anos, a banda Gelo Seco agita a galera da cidade e vizinhança.
O município é rico em belezas naturais, entre elas a Cachoeira da Fumaça, uma das mais famosas do Espírito Santo. Mas a magia do lugar não é apenas graças às quedas d’água.
Ao redor da pracinha da cidade, o som do rock ‘n’ roll tem animado bastante as festas organizadas pela banda Gelo Seco . O sucesso dos eventos e as mudanças no sossego da cidade motivaram Elber Júnior, estudante de publicidade e propaganda da Ufes, a gravar um videoclipe.
A música Rastão – o Menino Rebelde, escolhida para o vídeo clipe, foi uma homenagem da banda a um ‘figuraça’ que vive no município e é conhecido por todos. O próprio Elber disse:
o menino rebelde não vive um dia sequer sem arrumar alguma confusão
Rastão – O Menino Rebelde
Toma lá dá cá
Pelo MSN, o líder da Banda Gelo Seco, Makson Côra, matou a curiosidade da galera e contou um pouco da história, produção, ensaios e os shows que tem animado a região de Conceição e cidades vizinhas.
A democratização dos meios de produção abre espaço para que as pessoas tenham acesso mais facilmente a internet e aos dispositivos de distribuição em rede. Agora é possível produzir vídeos, publicar livros e gravar músicas na plataforma Web.
Sites como Itunes (música), Youtube (video), Orkut (relacionamentos) e Lulu.com (editoração) atuam como ferramentas para alimentar a criatividade e produção de uma geração àvida por novidades e últimas tecnologias.
O Punk Rock não inaugurou apenas um estilo de rock. O estilo também é pioneiro na iniciativa de buscar por espaços de autonomia para a produção de cultura e subjetividade. Bem na filosofia do “Faça você mesmo!”
Nesta linha e a partir da ampliação do acesso às novas tecnologias, muitos dos chamados amadores passam a usardessas novas ferramentas para produzirem seus vídeos, músicas e textos disponibilizando-os em rede – youtube, blogs, fotologs, podcast e myspace.
É nesse sentido que aumenta a divulgação de materiais pela internet. O crescente número de blogs, fotologs e sites brasileiros indicam como os jovens, principalmente, estão inseridos nas networks e listas de divulgação de produtoras dos estilos de que mais gosta.
Um exemplo desta nova modalidade de divulgação de projetos é a produtora Atitute! Eventos que usa Orkut, fotologs, e blogs para a divulgar os eventos da cena independente capixaba.
Segundo Marcelinho, o problema das casas de show é a ganância do produtor. “Querem cobrar preços que a galera não pode pagar, então estes acabam desistindo de ir e tudo se perde: o nosso trabalho, o público e o rock”, desabafa o baterista de Take Me e Os Pedrero. Ainda em funcionamento, em Vitória, encontram- se o Teacher’s Pub que mantém um projeto: o Domingo é dia de rock, com apresentação de sete a oito bandas por dia, no valor de ingresso de R$ 7,00. E o Clube Centenário que, de vez em quando, consegue trazer shows de rock de outros estados para Vitória e divulga um pouco das bandas locais. Mais recentemente, teve o show da banda mineira Udora, que foi para os Estados Unidos tentar viver de música e há quatro meses voltaram as terras brasileiras depois da consolidação da carreira por lá.
Em tempos de internet muita coisa muda. Conceitos, movimentos, moda, estilos de vida, modos de encarar a vida, numa velocidade que é própria da rede. E na música não é diferente. As formas de organização das bandas, a produção e a divulgação dos trabalhos é uma coisa nova. Até a relação com o publico muda. Marcelo Buteri, músico capixaba, de 28 anos, é dessa geração intermediária, que não nasceu com a internet, mas que pôde acompanhar o seu surgimento no cotidiano das bandas de rock aqui no estado.
Ele começou a tocar cedo, com 15 anos, num tempo muito distante, quando o acesso às tecnologias digitais era coisa de um futuro longínquo. Em meados dos anos 90, quando ele dava os primeiros passos no mundo do punk rock, lançar um CD com esse estilo musical era um sonho quase impossível. O processo de produção era muito caro. As gravadoras não apostavam em bandas novas – como hoje ainda não o fazem – e não havia muitas outras alternativas para mostrar o trabalho.
O que podia ser feito pelas bandas era gravar fitas k-7 com suas músicas e vender nos shows. Essas mesmas fitas podiam ser enviadas para as gravadoras mas, elas não estavam interessadas, lembra Marcelo.
Diversidade – Os estilos são tantos que para não me enganar e deixar alguém nervoso, preferi agregar logo todos ao título. A história punk rock no estado pode até ser recente, mas com certeza já tem muita coisa para contar. E quem deu uma força na hora de explicar (ou pelo menos tentar) de onde e como surgiu o movimento foi o Marcelo Buteri, atualmente professor por profissão e baterista em duas bandas capixabas por vocação.
Aos 28 anos, sem piercings ou tatuagens visíveis, de camisa pólo e com muita tranqüilidade, o baterista das bandas “Os Pedrero” (comunidade do orkut) e “TakeMe” (comunidade no orkut e MySpace) além de acabar com o estereótipo de que todos os que curtem um som mais “pesado” são revoltados, mostrou também que música é vontade, paixão, passar raiva, não ter dinheiro, mas principalmente, é muita diversão.
Vídeo clip desenvolvido para a banda Os Pedreiro veiculado na MTV
Havia rivalidade entre bandas de metal, punk e hardcore e até entre municípios. Buteri explica que havia preconceito, mas não no sentido musical, e sim entre os “playboys” de Vitória e os “podrões” de Vila Velha. Hoje, aos 28 anos, ele acha graça dessa “rixa”.