Uma questão de estilo

Maio 1, 2007

Geise Frigini - [geisefrigini@hotmail.com]

Nathália Poloni - [nathaliapoloni@hotmail.com]

Marcelle Susan, Juliana, Luana chamam a atenção por onde passam por causa do seu estilo inusitado 

As amigas L�via Beatriz, Vanessa dos Santos, Jordana Ol�via, Gisele Baltoã contam histórias sobre o preconceito que elas sofrem

Qual a sua reação ao ver um jovem na rua, em um restaurante, loja, supermercado ou qualquer outro lugar público vestido com roupas pretas, tênis All Star e maquiagem pesada?

( ) Acha super natural e concorda que a pessoa tem atitude e é descolada

( ) Não acha nada, considera que o modo como as pessoas se vestem não é problema seu

( ) Fica super indignado e fica pensando como alguém pode se vestir daquele jeito, que é uma afronta a moral e aos bons costumes da sociedade

Muitos jovens que curtem rock, qualquer que seja o estilo, e se vestem de maneira diferente, já foram alvo de críticas e agressões de pessoas que se identificam com a última opção. Casos não faltam para confirmar o preconceito sofrido por quem curte esse estilo por parte da sociedade. Jordana Olívia, que tem 19 anos e gosta do rock gótico, já coleciona uma série de histórias, que ela conta entre gargalhadas.  “A gente ouve muitas repreensões por se vestir desta maneira. Seja na escola, no ônibus ou ainda na rua”.

“Teve uma dia que eu estava no Terminal e uma mulher olhou para mim e disse –  minha Nossa Senhora! – daí a filhinha dela olhou para ela e falou – mamãe, hoje é sexta-feira 13, dia da bruxas! – então eu virei para a menininha e falei – é verdade, eu sou a bruxa! Caramba, a menina começou a chorar na hora”, conta Jordana para suas amigas, entre risadas.

Juliana, 15 anos, também já foi alvo de preconceito várias vezes.

“Uma vez, eu estava sentada no ônibus e um menino da minha escola começou a jogar casca de mexerica em cima de mim. Ele jogou uma, duas vezes e eu fiquei quieta. Na terceira vez não agüentei. Virei para trás e cuspi na cara dele! Só assim ele parou de me importunar”.

Família

Conflitos ou qualquer tipo de discriminação por parte dos pais não fazem parte da rotina das duas adolescentes. Elas garantem que o pai e a mãe aceitam na boa o seu estilo de vida e de roupa. “Quando eu coloquei o meu piercing, meu pai não falou nada. Ele não discordou da minha atitude. Só pediu para que eu não fizesse tatuagem logo, porque é algo definitivo, tem que estar certo da sua escolha”, diz Jordana.

Emos

Entre as tribos do rock, o principal alvo de críticas e preconceito são os admiradores de emocore. Os emos, como são chamados, sofrem todo o tipo de acusação. É comum ouvir entre os roqueiros afirmações ofensivas sobre o estilo, a orientação sexual e o tipo de som que eles ouvem.Já se tornou comum todos os emos serem rotulados de gays. Luana, 14 anos, é emo e participa dos encontros da tribo no Shopping Vitória, todos os sábados.  Ela conta que alguns amigos são homossexuais, mas isso não é maioria entre a galera emo.Os outros grupos que freqüentam o Shopping Vitória evitam se misturar com os emos e se ofendem quando são confundidos com eles. Existe ainda um grupo de roqueiros que vão ao local para agredir os admiradores de emocore. Luana e a amiga Marcelle Susan, 15 anos, dizem que uma amiga emo foi até agredida por causa do seu estilo. Também existe a galera que acha que o preconceito não está com nada. Uma delas é Juliana, que é gótica industrial e usa roupas e acessórios exagerados e maquiagem pesada. Ela tem amigos emos e sempre sai com eles, apesar da diferença de estilos. No entanto, Juliana reclama dos “emos de modinha”, aquelas pessoas que aderem ao estilo emocore só porque está na moda.

Emocore – O nome é uma variação do “hardcore emocional”. Porém, o termo “emo” sempre foi considerado pejorativo. Essa vertente sentimental do rock’n’roll  vêm ganhando muitos adeptos aqui no Brasil. Bandas como NX Zero, Fresno e Forfun estão entre as preferidas dessa tribo, além da banda americana Simple Plan. Os fãs se identificam com as letras das músicas que falam de romances, do relacionamento entre pais e filhos e de outros sentimentos comuns na adolescência.

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01/05 – Emo 


Movimento punk metal hardcore rock: recente, mas com muita história

Abril 24, 2007

Amanda Zambelli – [azjornal@yahoo.com.br]

Diversidade – Os estilos são tantos que para não me enganar e deixar alguém nervoso, preferi agregar logo todos ao título. A história punk rock no estado pode até ser recente, mas com certeza já tem muita coisa para contar. E quem deu uma força na hora de explicar (ou pelo menos tentar) de onde e como surgiu o movimento foi o Marcelo Buteri, atualmente professor por profissão e baterista em duas bandas capixabas por vocação.

Aos 28 anos, sem piercings ou tatuagens visíveis, de camisa pólo e com muita tranqüilidade, o baterista das bandas “Os Pedrero” (comunidade do orkut) e “TakeMe” (comunidade no orkut e MySpace) além de acabar com o estereótipo de que todos os que curtem um som mais “pesado” são revoltados, mostrou também que música é vontade, paixão, passar raiva, não ter dinheiro, mas principalmente, é muita diversão.

  • Vídeo clip desenvolvido para a banda Os Pedreiro veiculado na MTV

  • Take Me ao vivo no Armazem 5 em Vitória

ES – No estado, o movimento punk rock começou no final da década de 80 e se intensificou bastante ao longo dos anos 90, mesmo com a falta de informação e de tecnologia de que se dispõe atualmente. Bandas internacionais como Ramones, Mettallica, Nirvana, Iron Maiden, Kiss, Bad Religion, Pennywise, Pearl Jam foram influência marcante no surgimento desses estilos no Espírito Santo – acesse no site Roda Punk nomes de algumas bandas capixabas.

Havia rivalidade entre bandas de metal, punk e hardcore e até entre municípios. Buteri explica que havia preconceito, mas não no sentido musical, e sim entre os “playboys” de Vitória e os “podrões” de Vila Velha. Hoje, aos 28 anos, ele acha graça dessa “rixa”.

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