“Take me …” Uma banda e uma sugestão

Junho 21, 2007

Alex Nakaóka  – [alexdefabri@yahoo.com.br]

Terça-feira à noite. A chuva e o estranho frio que não costuma fazer em Vitória me desanima a sair de casa. Mas com o compromisso marcado, lá vou eu pra Mata da Praia, entrevistar e filmar a banda “Take Me…”. O Estúdio bem equipado e com excelente acústica, digna de um bom investimento, fica na casa do guitarrista Léo. Ao chegar, sou recebido por uma mulher e vários cachorros, até que chego aos fundos da casa, local onde fica o estúdio.

Na entrada vejo uma placa escrita: “Não entre com sapatos”. Bato na porta e ninguém atende. Após um tempo, descubro que está destrancada e, desatento, entro com os sapatos, ignorando o aviso. Logo sou repreendido pelos componentes da banda. Após a vergonha inicial, começamos um papo descontraído, até que Marcelo (baterista), Léo (guitarrista), Jean (vocal e guitarrista) e Jorginho (baixista) começam a ensaiar, com gozações e brincadeiras entre uma canção e outra.

Entrevista:

Alex Nakaóka: Porque banda “Take Me”?

Take Me… : A gente tirou o nome de uma música. A música chamava-se “Take Me to the river”. Aí, pra não ficar esse nome grande a gente colocou “Take Me” três pontinhos (…)”. A gente deixa as pessoas imaginarem o porque do nome. O que você acha que o nome sugere? Leia o resto deste post »


O estilo Rio-core de ser

Junho 6, 2007

Gustavo Gouveia – [guga_gouveia@yahoo.com.br]

Um sem-número de caracterizações surgem quando se tenta definir algumas vertentes musicais. E não é difícil que o efeito seja contrário ao que se possa pretender. Buscar definir em qual estilo se encaixa certa banda pode gerar muita confusão – como já vi em vários fóruns musicais espalhados pela net. Dentro do punk rock/hardcore não é diferente.

E agora, para embaralhar de vez a cabeça dos ouvintes, os tupiniquins inventam o termo Rio-core.

Definição – O Rio-core, assim como os outros subgêneros do punk/hardcore, tem as suas peculiaridades. É um punk rock pop e alto-astral que traduz o espírito de diversão e descontração associado ao carioca. Às vezes as bandas utilizam até influências de reggae. Com menos lirismo, as letras passam mensagens diretas e abusam de gírias e expressões características dos adolescentes e jovens locais. Não que as bandas desse subgênero só possam ser cariocas, mas precisam se encaixar nesse espírito.

Em geral, o público desse segmento é adolescente de classe média que é identificado pelo som “curtição”, a filosofia “Peter Pan” e as mensagens hedonistas das músicas.

Características – Não existe um estilo que caracterize o modo de se vestir desse público – o que acontece com Emocore, por exemplo. O som atinge a várias tribos além dos roqueiros, como surfistas, skatistas, “jiu-jiteiros” e até baladeiros.

As principais representantes do Rio-core são Forfun, Darvin e Dibob do Rio de Janeiro, e Strike, de Minas Gerais. O estilo se popularizou após o lançamento de “Teoria Dinâmica Gastativa”, primeiro CD da banda Forfun, que estourou na mídia televisiva com o clipe da música “História de Verão”. Clipe e música resumem bem o estilo: a música se utiliza de uma linguagem bem adolescente e descolada enquanto que o clipe representa o hedonismo juvenil ao reproduzir uma típica festa de classe média com muita diversão e azaração.

As origens Leia o resto deste post »


Formas diferentes de divulgação na cena independente

Maio 30, 2007

Juliana Farias - [juli.farias@yahoo.com.br]

O Punk Rock não inaugurou apenas um estilo de rock. O estilo também é pioneiro na iniciativa de buscar por espaços de autonomia para a produção de cultura e subjetividade. Bem na filosofia do “Faça você mesmo!”

Nesta linha e a partir da ampliação do acesso às novas tecnologias, muitos dos chamados amadores passam a usar dessas novas ferramentas para produzirem seus vídeos, músicas e textos disponibilizando-os em rede – youtube, blogs, fotologs, podcast e myspace.

É nesse sentido que aumenta a divulgação de materiais pela internet. O crescente número de blogs, fotologs e sites brasileiros indicam como os jovens, principalmente, estão inseridos nas networks e listas de divulgação de produtoras dos estilos de que mais gosta.

Um exemplo desta nova modalidade de divulgação de projetos é a produtora Atitute! Eventos que usa Orkut, fotologs, e blogs para a divulgar os eventos da cena independente capixaba.

Integrantes

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Transformações radiofônicas: o punk se adapta à comercialização

Maio 10, 2007

Iani Eleutério – [ianics@hotmail.com]

Thaize Dallapícola – [thaizedr@hotmail.com]

Companheirismo. Complementação. Divulgação. Essas palavras definem bem a relação entre rádio e Internet no cenário punk rock brasileiro e, principalmente, capixaba. Por ter um público segmentado e ainda pequeno no Espírito Santo, o punk rock possui pouco espaço nas rádios capixabas. Há uma grande limitação de tempo. “Nosso programa tem apenas duas horas semanais. As pessoas só têm esse horário para escutar”, fala Cyssu, locutor de um dos poucos programas do gênero no estado.

Além da questão do pouco tempo, a censura nas rádios também acaba minimizando o caráter crítico proposto pela ideologia do punk rock. Na rádio existe a preocupação com quem está ouvindo a música. Os pais ainda vigiam seus filhos. Por isso, letras muito agressivas, comuns no estilo, são evitadas na rádio. Debates acerca de política e religião também são deixados em segundo plano, descaracterizando o ideal do movimento.

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No melhor estilo faça você mesmo

Maio 5, 2007

João Costa – [joaoffc@yahoo.com.br]

Pouca estrutura de palco, com iluminação baixa, na maioria das vezes feita por um jogo de luz fraco. Palco tão baixo e pequeno que faz o músico se diferenciar da platéia apenas pelo instrumento. Caixas de som trazidas pelas próprias bandas. Estrutura física a desejar, porém com muita performance, riffs, melodias, pegada, feeling e, principalmente, prazer. Assim é a maioria dos shows no cenário do rock alternativo, que possui bandas e músicos à margem da indústria fonográfica. Não tocam nas grandes rádios e não têm muita voz na mídia. Mas, em seus espaços de divulgação cultural, dão seus recados e utilizam dos recursos ao alcance para se fazerem conhecidos pelo seu público.

  • Banda Forgotten Land em apresentação no bar Anchietinha, em Vitória – uso de recursos simples e proximidade com o público.

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Espírito Emo – O Emo em terras capixabas

Abril 30, 2007

Letícia Gonçalves – [leticia_jornal@yahoo.com.br]

Liege Nogueira - [liege_nogueira@yahoo.com.br]

Apesar de ter surgido nos Estados Unidos no início da década de 80, o estilo Emo só começou a tomar notoriedade no Brasil em 2003. Sob a influência norte-americana, adolescentes de São Paulo e de outras capitais do Sul e do Sudeste passaram a adotar o comportamento, o visual e a música Emo.
 
No Espírito Santo, representantes dessa nova onda transitam pelas ruas com fácil identificação, graças ao estilo de roupas e cabelos adotado. O Shopping Vitória e a Praça dos Namorados são alguns dos principais pontos de concentração da tribo.

Já existe até um flogão só para postagens de fotos dos freqüentadores do Shopping.

De acordo com Luáh, 14, a turma se reúne no Shopping Vitória, aos sábados a partir das 14h, para bater papo. É um local de descontração, onde os Emos e outros fãs de rock se sentem à vontade para conversar sobre música e outros assuntos referentes ao grupo, diz Luáh.
 
As bandas são diversificadas entre os mais de dez Emos que se encontram no local.  “NX Zero, Emoponto, Fresno, Forfun, Simple Pan são algumas das minhas bandas favoritas”, citou Luáh. No entanto, outros membros do grupo desaprovam as bandas que a adolescente escuta.
 
Apesar das diferenças musicais, as divergências acabam por aí. Quando o assunto é preconceito todos têm a mesma opinião. Todos já sofreram preconceito, mas não ligam para isso. Os contatos virtual e real que o grupo possui, somente os fortalecem. A união é tão grande que eles são capazes de dividir o mesmo milk shake.
 
Estilo e recreações à parte, o “Emocore” também já teve representantes capixabas. Index, Segunda-feira e Mono são alguns dos exemplos citados por Guilherme Piccin, o hoje analista de sistemas, ex-integrante da Simple Present, outra banda por ele enquadrada como Emo.
 
Mas isso foi nos “velhos tempos”, entre 2002 e 2003, quando o estilo ainda não era marcado pelo visual, como é hoje.

“Antes, essas bandas conviviam com o movimento Punk Rock, faziam parte dele apesar de terem letras mais introspectivas. O público das bandas Emo, que nem era muito chamado assim, era o mesmo do hardcore. Quem ia aos shows dessas bandas era a mesma galera que ia ao show d’Os Pedrero” , lembra Guilherme.
 
A nova “roupagem” do Emo já não agrada ao antigo fã de bandas como Hateen. “Hateen era considerado Emo naquela época, mas não como é agora, eu tenho todos os cds deles, menos o último, e não quero ter”.
 
Questionado sobre o porquê do fim da convivência entre os Emos e o movimento Punk Rock do qual se originaram, Guilherme hesita um pouco. Mas qual seria a diferença geradora da rejeição total ao Emo por parte do Punk Rock? “Eles querem aparentar algo que não são, ser ‘cools’. É mais visual e menos musical”, explica Guilherme.
 
Manual do Emo iniciante

Quer saber como se tornar um Emo? Então clique no link abaixo e confira as características fundamentais para se tornar um!

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Quando o Punk Rock cedeu à melancolia

Abril 30, 2007

Letícia Gonçalves [leticia_jornal@yahoo.com.br]

Liege Nogueira [liege_nogueira@yahoo.com.br]

O movimento Punk Rock, como a maioria das escolas musicais que sobrevivem à contemporaneidade, adquiriu novas características, incorporou e desenterrou estilos. De uma dessas mudanças, o Emo surgiu.

Bandas como My Chemical Romance, Fall Out Boy e Panic! at the Disco ou, para citar alguns exemplos brasileiros,  Hateen, Emo. e NXzero , fazem sucesso entre o público de roupas pretas, lápis de olho e franja que esconde um dos olhos. A fórmula consiste em acordes rápidos e letras melódicas.

Mas o Emo não teve origem no século XXI, ao menos não como fenômeno pop. Desde os anos 1980, bandas que nasceram no movimento Punk Rock como Rites of Spring, Fugazi e Jawbreaker já adotavam letras introspectivas e vocais melódicos. Tudo isso teve início em Washington D.C. e na Califórnia, nos Estados Unidos.

De idéias contestadoras e políticas a relacionamentos. Essa é a principal mudança que 20 anos depois ainda domina o “Emocore”, origem da palavra Emo, uma referência às transformações que o Hardcore sofreu para dar origem ao estilo.

O Emo também passou por várias fases até se tornar o que é hoje. O visual, por exemplo, só começou a ser adotado amplamente nos últimos dois anos. Além de o estilo, a música é, acima de tudo, emotiva, sensível, capaz de mexer com os sentimentos humanos.


O público ontem e hoje

Abril 25, 2007

Ronald Alves - [ronaldsalves@yahoo.com.br]

A cena do rock mudou nessas últimas décadas. Para Marcelo Buteri, antes havia uma rivalidade gratuita entre as bandas que ele não consegue explicar:

“Banda de Metal não dialogava com banda de punk rock, que achava que hard core era coisa de “playboy”. Por isso não se misturavam. Hoje isso não acontece mais. E é bem melhor assim”

Mas não foi só isso que aconteceu. O punk rock nasceu, na década de 1970, como música de forte cunho político, um instrumento artístico de protesto e revolta. De algumas alterações desse movimento, no decorrer dos anos 80, aparece o hard core, com músicas mais melódicas e letras que trocam o protesto característico pela emoção pessoal. É a partir daí que surge o emo, que se apropria desse som e adiciona elementos extra-musicais, como o visual característico. Para Buteri, emo é mais moda que música e tem muita influência da TV, com seus canais e programas de música e da internet.

“Tenho uma teoria que o emo nasceu na internet, no msn, no Orkut, essas coisas…”, brinca.

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Punk rock em tempos de internet

Abril 25, 2007

Ronald Alves [ronaldsalves@yahoo.com.br]

Em tempos de internet muita coisa muda. Conceitos, movimentos, moda, estilos de vida, modos de encarar a vida, numa velocidade que é própria da rede. E na música não é diferente. As formas de organização das bandas, a produção e a divulgação dos trabalhos é uma coisa nova. Até a relação com o publico muda. Marcelo Buteri, músico capixaba, de 28 anos, é dessa geração intermediária, que não nasceu com a internet, mas que pôde acompanhar o seu surgimento no cotidiano das bandas de rock aqui no estado.

Ele começou a tocar cedo, com 15 anos, num tempo muito distante, quando o acesso às tecnologias digitais era coisa de um futuro longínquo. Em meados dos anos 90, quando ele dava os primeiros passos no mundo do punk rock, lançar um CD com esse estilo musical era um sonho quase impossível. O processo de produção era muito caro. As gravadoras não apostavam em bandas novas – como hoje ainda não o fazem – e não havia muitas outras alternativas para mostrar o trabalho.

O que podia ser feito pelas bandas era gravar fitas k-7 com suas músicas e vender nos shows. Essas mesmas fitas podiam ser enviadas para as gravadoras mas, elas não estavam interessadas, lembra Marcelo.

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Roqueiros não falam a mesma língua

Abril 25, 2007

Juliana Farias – [juli.farias@yahoo.com.br]

Em um bate-papo com a turma do sétimo período de Comunicação Social da Ufes, o baterista das bandas “Os Pedrero” e “Take Me“, Marcelo Buteri, confessou que durante boa parte dos anos 90 existia uma rixa entre o pessoal de Vitória e o de Vila Velha. O baterista comentou, entre risos, que o amadurecimento levou esse mesmo pessoal a ver essas mesmas picuínhas como coisas ridículas e infantis.

Marcelo Buteri tocando em show da banda Os Pedrero - arquivo pessoal. Acesse mais fotos d’Os Pedrero

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