O mais novo nome do Rio-core, a banda Strike, estréia com um álbum de alta qualidade de gravação e produção em suas 11 faixas. Muitas programações eletrônicas, toques de teclado e alguns violões dão um toque especial ao restante do som.
O carro chefe do CD é “Paraíso Proibido”, música que resume o álbum – videoclip abaixo. A música conta também com uma comunidade no orkut onde se reúnem quase 5 mil pessoas.
Além de programações eletrônicas em “Paraíso Proibido” se tem os famosos “scratches”, típico dos dj´s de hip hop, aliado a vocais de ragga. A mistura faz lembrar o primeiro CD do Good Charlotte, que abusa destes elementos.
As outras faixas do álbum
“Aquela História” é um punk pop direto, sem enfeites eletrônicos, e com ótima melodia vocal. A faixa que mais se difere das demais músicas do álbum é “O Jogo Virou”. Isso porque, apesar dos aparatos eletrônicos e scratches, a música foi toda tocada em violão. A mensagem da letra é típica do Rio-Core e contém influências inegáveis da banda Sublime.
Com toda essa diversidade musical em seu CD de estréia, a Strike tem tudo para triunfar não só dentro do público de punk rock, pois a super produção – superior às demais bandas do Rio-core – deixou o álbum altamente comerciável. “Desvio de Conduta” cairá como uma luva para uma nova geração que se identifica com um som jovem, e um jeito “Peter Pan” de ser.
Um sem-número de caracterizações surgem quando se tenta definir algumas vertentes musicais. E não é difícil que o efeito seja contrário ao que se possa pretender. Buscar definir em qual estilo se encaixa certa banda pode gerar muita confusão – como já vi em vários fóruns musicais espalhados pela net. Dentro do punk rock/hardcore não é diferente.
E agora, para embaralhar de vez a cabeça dos ouvintes, os tupiniquins inventam o termo Rio-core.
Definição – O Rio-core, assim como os outros subgêneros do punk/hardcore, tem as suas peculiaridades. É um punk rock pop e alto-astral que traduz o espírito de diversão e descontração associado ao carioca. Às vezes as bandas utilizam até influências de reggae. Com menos lirismo, as letras passam mensagens diretas e abusam de gírias e expressões características dos adolescentes e jovens locais. Não que as bandas desse subgênero só possam ser cariocas, mas precisam se encaixar nesse espírito.
Em geral, o público desse segmento é adolescente de classe média que é identificado pelo som “curtição”, a filosofia “Peter Pan” e as mensagens hedonistas das músicas.
Características – Não existe um estilo que caracterize o modo de se vestir desse público – o que acontece com Emocore, por exemplo. O som atinge a várias tribos além dos roqueiros, como surfistas, skatistas, “jiu-jiteiros” e até baladeiros.
As principais representantes do Rio-core são Forfun, Darvin e Dibob do Rio de Janeiro, e Strike, de Minas Gerais. O estilo se popularizou após o lançamento de “Teoria Dinâmica Gastativa”, primeiro CD da banda Forfun, que estourou na mídia televisiva com o clipe da música “História de Verão”. Clipe e música resumem bem o estilo: a música se utiliza de uma linguagem bem adolescente e descolada enquanto que o clipe representa o hedonismo juvenil ao reproduzir uma típica festa de classe média com muita diversão e azaração.
O Punk Rock não inaugurou apenas um estilo de rock. O estilo também é pioneiro na iniciativa de buscar por espaços de autonomia para a produção de cultura e subjetividade. Bem na filosofia do “Faça você mesmo!”
Nesta linha e a partir da ampliação do acesso às novas tecnologias, muitos dos chamados amadores passam a usardessas novas ferramentas para produzirem seus vídeos, músicas e textos disponibilizando-os em rede – youtube, blogs, fotologs, podcast e myspace.
É nesse sentido que aumenta a divulgação de materiais pela internet. O crescente número de blogs, fotologs e sites brasileiros indicam como os jovens, principalmente, estão inseridos nas networks e listas de divulgação de produtoras dos estilos de que mais gosta.
Um exemplo desta nova modalidade de divulgação de projetos é a produtora Atitute! Eventos que usa Orkut, fotologs, e blogs para a divulgar os eventos da cena independente capixaba.
Muito preto, vermelho e xadrez, como dos dois roqueiros da foto estão vestidos, definem um pouco o estilo rock de ser. Adereços e acessórios fazem parte deste mundo musical que se mistura com a moda e a personalidade.
Os góticos aderem a uma estética sombria, essencialmente baseada no negro, com acessórios referentes a filmes de estilo futurista, como no caso de cybergoths. Cabelos compridos e coloridos também compõem o visual. A garotada da foto segue fielmente o que dita a moda gótica.
Companheirismo. Complementação. Divulgação. Essas palavras definem bem a relação entre rádio e Internet no cenário punk rock brasileiro e, principalmente, capixaba. Por ter um público segmentado e ainda pequeno no Espírito Santo, o punk rock possui pouco espaço nas rádios capixabas. Há uma grande limitação de tempo. “Nosso programa tem apenas duas horas semanais. As pessoas só têm esse horário para escutar”, fala Cyssu, locutor de um dos poucos programas do gênero no estado.
Além da questão do pouco tempo, a censura nas rádios também acaba minimizando o caráter crítico proposto pela ideologia do punk rock. Na rádio existe a preocupação com quem está ouvindo a música. Os pais ainda vigiam seus filhos. Por isso, letras muito agressivas, comuns no estilo, são evitadas na rádio. Debates acerca de política e religião também são deixados em segundo plano, descaracterizando o ideal do movimento.
Pouca estrutura de palco, com iluminação baixa, na maioria das vezes feita por um jogo de luz fraco. Palco tão baixo e pequeno que faz o músico se diferenciar da platéia apenas pelo instrumento. Caixas de som trazidas pelas próprias bandas. Estrutura física a desejar, porém com muita performance, riffs, melodias, pegada, feeling e, principalmente, prazer. Assim é a maioria dos shows no cenário do rock alternativo, que possui bandas e músicos à margem da indústria fonográfica. Não tocam nas grandes rádios e não têm muita voz na mídia. Mas, em seus espaços de divulgação cultural, dão seus recados e utilizam dos recursos ao alcance para se fazerem conhecidos pelo seu público.
Banda Forgotten Land em apresentação no bar Anchietinha, em Vitória – uso de recursos simples e proximidade com o público.
Há uma relação muito estreita entre o rock em geral e os animes e mangás – versões japonesas dos conhecidos desenhos animados e HQs. Onde existe um, ali está o outro. Posso até chegar a pretensiosa conclusão de que não há um rockeiro/metaleiro/punk/gótico/grunge/emo (…) que se preze que não seja apaixonado por esta arte. É pré-requisito.
Temos os infinitos exemplos de animações “caseiras” que podem comprovar. Os vídeos mesclam imagens de animes e alguma música que combine com a seqüência ou história do personagem. O YouTube tem várias delas e até eu, pobre amadora, já me aventurei a fazer algumas. Existem das mais requintadas, que são montagens de vários frames de uma temporada inteira, às simples inserções de outro áudio numa abertura do anime – esse foi o meu caso, mas que ainda não tive coragem de postar na internet.
Alguns destes clipes você pode conferir na aba vídeos do VibeRock.
Também é importante prestar atenção na trilha de alguns animes. Se você não curte muito, pelo menos veja a abertura de Full Metal Alchemist, Bleach e X TV. Impossível dissociar. E tem também a histórica parceria entre o vocalista da banda Angra, Edu Falaschi, e o anime mais famoso do Brasil, a lenda para quem teve a sua infância entre os anos 80 e 9o. Os Cavaleiros do Zodíaco.
A voz de Falaschi encaixou tão bem com a saga que os fãs exigiram que ele voltasse a cantar no novo filme dos cavaleiros, o Prólogo do Céu. E não há um show sequer em solo brasileiro em que a banda escape de entoar este hino de uma geração.
A velha máxima “sexo, drogas e rock ‘n’ roll” ganha uma nova versão na Caverna do Simpson. Quem pensa que o ambiente dos roqueiros é um espaço onde “tudo pode rolar” tem uma impressão diferente quando conhece o bar. Os amantes do rock podem desfrutar do espaço à vontade, mas algumas regras devem ser respeitadas.
“Drogas no bar não rolam; nem brigas e nem putaria”.
Essa preocupação de Jorge Simpson tem um motivo especial: manter um ambiente familiar. Mas esta postura também colabora para que seja desmistificada a imagem das pessoas que freqüentam e curtem o mais puro rock and roll.
“O bar é lugar familiar. É comandado e atendido por uma família”.
No início da Caverna eram os amigos de Simpson que tinham contato com as bandas novas e as convidavam pra tocar no bar. Depois, o famoso ‘boca a boca’ foi espalhando o espaço para o público mais alternativo. Com a internet, tudo ficou mais fácil. Os fotologs, blogs, perfis e comunidades do Orkut abastecem o público com informações, fotos, vídeos e as músicas das bandas. Isso facilita bastante conhecer o trabalho dos iniciantes e manter contato.
A internet é fundamental. O bar funciona através da internet. Atinge o público alvo. Enquetes e debates também são feitos. Não somos totalmente comerciantes